Convidar as pessoas para minhas exposições não é algo que faço com muita naturalidade. Não lido bem com conversas fiadas e bate-papos improvisados, então, esse corpo a corpo exige um certo ensaio e roteirização.
Beatriz da Terra que me perdoe. Casa de ferreiro, espeto de pau mesmo.
Mas é fato, no compasso das exposições, onde o convite se estende além das paredes da galeria, não tenho como estar 100% preparada para o olhar do outro e isso gera certa ansiedade.
– Oi, vim até aqui para te convidar para a abertura da minha próxima exposição.
– Vai ter lanche?
Entre a simplicidade e a curiosidade, fico sem saber o que dizer. Nem sei se precisa. Sorrio e dou meia volta para regurgitar de forma prolongada.
Sem perceber, esses questionadores me lembram de que a arte, em sua essência, é o alimento da alma. Assim, transformo o questionamento em inspiração: se a busca é por alimento, que seja pelo banquete do espírito, onde cada obra de arte é um prato repleto de significados, cores e texturas.
Nas entrelinhas dessas perguntas, encontro o estímulo para aprofundar minha compreensão sobre o fazer artístico. Por que a arte, que parece tão simples aos olhos de alguns, desperta tamanha complexidade em outros? É nesse território de dúvidas e descobertas que me encontro, buscando compreender não apenas a minha própria arte, mas também o olhar de quem a observa.
Curiosamente, a próxima exposição se desenha como um grande banquete.
Que todos se sintam convidados a provar, a sentir e a transformar suas percepções, afinal, a arte é essa celebração infinita do sensível.
Inclusive, acho que preciso ensaiar essa resposta, por que sempre tem alguém perguntando se vai ter comida:
– Não trabalho com lanches, mas com a celebração do sensível. Você está convidada a provar, a sentir e a transformar suas percepções.
Se você chegou até aqui, reserve a data: 28 de junho de 2025, no Vilarejo 21.

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