Tenho ficado menos tempo do que é gostaria no meu ateliê. Justamente por isso, tenho pensado muito nele e sonhado com tudo que o orbita.

No aconchego do meu ateliê, a partir do que vejo enquanto balanço na rede, entendo que cada punhado de barro carrega memórias silenciosas, histórias que se entrelaçam com a minha própria jornada. Aqui, cada escultura nasce do diálogo entre minhas mãos e a terra, uma conversa íntima onde cada curva e textura guarda um pedaço de mim.

Fecho meus ollhos. Inspirada pelos sonhos, como ensina Sidarta Ribeiro, vejo no ato de criar um mergulho na vulnerabilidade, um espaço onde posso ser completamente eu. Cada obra que nasce desse solo é um testemunho de entrega, de intimidade com o material que escolhi como companheiro de jornada.


Nas curvas do barro, encontro ecos das perspectivas de Eduardo Viveiros de Castro, onde a ancestralidade da terra se manifesta em formas que transcendem o tempo. O ateliê, meu refúgio, é um território de afetos, onde cada obra é uma carta de amor ao mundo, uma tentativa de reinventar o futuro com as mãos sujas de terra e coração aberto.

E, assim, na presença da ausência, entre sonhos e barro, construo não apenas esculturas, mas pontes para um mundo onde a arte é um arquivo vivo de nossas histórias invisibilizadas, um convite a sonhar.

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