De janeiro a julho de 2025, morei artisticamente no coração de um pedaço de cerrado vivo. Fui acolhida em um território que pulsa arte, afeto e encantamento. No Vilarejo 21, montei meu ateliê de temporada e o batizei de Alpendreliê — nome inventado, meio varanda, meio abrigo do pensamento.
Assista ao meu vídeo no Alpendreliê!
Foram seis meses de muito aprendizado. O que mais me tocou foi poder conviver com as minhas obras em abundância, espalhadas pelas paredes, reunidas como nunca antes, oriundas de diferentes séries e momentos criativos. Organizei, reorganizei, desorganizei e montei de novo — e assim fui compreendendo como cada obra sussurra para a outra. Como se falassem uma língua secreta que só o tempo e o silêncio do cerrado permitem escutar.

Falo de um espaço raro: um cerrado preservado no meio da cidade, onde caminhar é uma forma de oração. Árvores e capins nativos me abraçavam nas trilhas ao redor do ateliê. Cada curva do caminho até lá me fazia respirar mais devagar, me arrancava da pressa da rotina e me reconectava ao que há de essencial. E, ao fim da tarde, aquela luz dourada… linda, linda, linda… me fazia querer ficar.
Agradeço ao balanço posicionado a poucos metros da varanda. Ali eu me sentava e balançava como quem pensa com o corpo. Ir, vir, não parar: ali aprendi de novo o ritmo da vida.
Agradeço ao Rafael, que tantas vezes coou um café quentinho que aquecia mais que o corpo — e, olha, Rafael, esse café é motivo pra eu continuar voltando, viu?
Agradeço à Sofia, por um olhar generoso como poucos, por cada palavra pensada, reposicionada, escolhida com precisão e afeto. O texto que você escreveu sobre meu trabalho é uma obra em si.
Sou imensamente grata também pela oportunidade de montar uma instalação tão experimental fora do meu ateliê, em um espaço expositivo que me desafiou e expandiu.
À Letícia Lofego, deixo minha gratidão pelas boas-vindas calorosas, pelo buquê de chegada e pelo livro emprestado — aquele de arte e gastronomia — que foi fundamental na concepção da minha instalação-banquete.
E agradeço à Lélia Lofego, que me acompanhou em diferentes fases do caminho. Suas palavras sobre minha pesquisa sempre foram precisas, atentas, estimulantes. Você vê longe, Lélia. E vê fundo.
Agradeço, enfim, ao Vilarejo 21 — esse lugar que é mais que espaço, é presença. Vocês me receberam com generosidade e ternura, e deixaram que minha arte respirasse, vibrasse, se encontrasse.
Ficou um vazio,
Beatriz da Terra

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