Ele caminhava apressado, com o corpo levemente inclinado para frente, cara fechada, batendo um galão de água vazio em seu próprio corpo, ofegante, quase babando o grito que tentava segurar.

Do outro lado da cerca, ele parou bem na minha frente, ergueu o corpo e, quando conseguiu o contato visual que eu tentava evitar, ele falou com a voz muito alta e trêmula:

“Meu colega caiu ali na frente da lanchonete, bateu a cabeça no chão e morreu na hora”.

Aquela eternidade que cabe em um segundo amplificou o silêncio de um sábado que tentava começar, mas não ia muito bem.

Ouvi o barulho seco da garrafa se distanciando a cada passo e teve mais um urro antes da cidade se agitar novamente: “Morto!”.

Mais um berro ouvido e ignorado pela desumanidade habitual de um passeio com cachorro dentro do condomínio.

Categories:

Tags:

No responses yet

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *