Abri a janela numa tentativa de abrir meu peito e deixar o vento arrancar a loucura que resolveu se instalar aqui dentro
Apesar do tempo propício, hoje não vou conseguir sair para procurar a Flor de Triz. Há uma forte neblina cobrindo a floresta. Coração e pensamentos estão muito confusos. Aquela melancolia que nunca vai embora ganhou força. Curioso isso acontecer logo no dia que o sol resolveu aparecer – perdi um dia de cachoeira nas férias.
Ganhei um dia de corpo quente. O suor escorre pelo meu corpo parado em frente à janela. As gotas me fazem entender na pele que habito que ainda existe um corpo físico aprisionando tantos sentimentos.



Talvez o uso do Ageratum tenha sido forte demais. Talvez seja só um ciclo longo, que insiste em prolongar minha travessia. Talvez seja a distância dos meu filhos — dias assim, em que é difícil agir, tenho uma ponta de compreensão da maternidade. Sem romantismos, mas é verdade que a necessidade de lamber e manter vivas as crias movimenta a energia do corpo, mesmo que temporariamente, e à noite, no silêncio da casa, a escuridão volte.
Então, estou aqui, procurando uma luz lá fora que reflita uma fagulha aqui de dentro. Estou numa casa cheia de portais, estou atravessando vários. E, como diz o recado que a bruxona deixou na parede: O feminino que existe em mim vai florescer.


Aquarelas
Antes de ligar o computador, também perdi um tempo navegando pela minha própria arte, contemplando um aglomerado de aquarelas que já estão prontas como se procurasse alguma coisa nelas. Tem um portal alí! Eu sei que tem.
Antes de hoje eu poderia jurar que ao fazer essa série, estava atravessando o meu portal. Por alguns momentos até achei que já tinha atravessado e vinha me dedicando a outras paletas e técnicas.
Voltei no tempo. Ou melhor, parei de escapar e voltei para dentro de mim. Ainda tenho muito o que percorrer em minhas profundezas. Ainda tenho muita coisa seca e endurecida aqui dentro que precisa ser aquarelada.

Processos artísticos
Tudo bem não conseguir pintar nada hoje. Nem a cama eu arrumei. A artista aqui está aproveitando o dia para registrar processos e planejar tudo o que ainda precisa ser feito, de coisas práticas como catalogar, emoldurar, divulgar. Vou deixar essas “chatices” para quando chegar em casa. E aproveitar meus dias aqui neste Ateliê de Temporada para movimentos mais livres, sem protocolos. Escavando qualquer coisa que seja realmente autêntica na minha gestualidade.

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