Apresento o par de tênis que vai me acompanhar nos próximos dias

É que estou arrumando as malas para pegar a estrada rumo ao meu destino preferido, a Chapada dos Veadeiros – É lá que vai ficar meu ateliê de temporada no comecinho de 2023.

Veganinho Florido foi um presente de Natal do meu amado companheiro P. 

Ganhar esse presente me encheu de alegrias passadas e futuras, me ativou memórias inventadas de um relacionamento que nunca aconteceu com um par de botas veganas e floridas que insistia em aparecer no feed da minha rede social. Sonhei tantas vezes com aqueles sapatinhos, já tinha inventado inúmeros destinos para percorrermos juntos. 

E P. chegou realizando esse sonho com o presente que me saiu muito melhor do que no universo imaginário. Veganinho Florido é um par de sapatilhas para trilha da marca Trilha, brasiliense como eu, e isso garante muitos pontos extras. Percebeu o detalhe da Ponte JK na costura?

Outra memória ativada pelo Veganinho Florido foi dos meus tempos de jornalista, editora de moda. Àquela época acompanhei o início da marca Trilha e até ganhei um par de sapatilhas. Uma das minhas vidas passadas… Sorri ao saber que a marca continua trilhando o caminho do sucesso – Trilha, patrocina minha exposição?

Em outra vida também já tive um Nike cano alto em tecido florido, estampa exclusiva da Colete – loja que já foi muito badalada entre fashionistas em Paris. Sim, eu também já fui essa pessoa. Ah, lembrar de algumas memórias desse tênis me emocionou. Uma pena ter me desfeito desses tênis sem nem me recordar do motivo, ou não. 

Enfim, seja bem-vindo Veganinho Florido. Que venham dias de muita aventura, bravura e amor pela frente.

A MEMÓRIA DAS COISAS

Escolher o que vai e o que fica é um processo intenso que passa pela memória das coisas.

As manchas de tinta do meu short jeans já rasgado pelo uso me fazem sorrir e desejá-lo. Identifico claramente o prússia do quadro O silêncio e o vinho que derramei sobre Minha Janela. Também teve o dia em que o acúleo atravessou o jeans e provou o sangue do meu bumbum – o leve rasgado continua lá. E um resto de cola que insiste em ficar no fundo do bolso. Ah, as memórias de um Carnaval, de um fim de semana incrível e daquele beijo tão esperado… Com certeza este velho trapo vai me garantir conforto mais uma vez.

Vestir um jeans não te deixa mais forte? Bom, também, que jeans tem como usar várias vezes sem lavar e nem precisa passar.

Não é à toa que gosto de ganhar roupas e acessórios de presente. Corrijo, gosto quando a roupa já foi usada. Ser presenteada com as memórias de outro alguém é maravilhoso. Se vestir de outra pessoa é mágico! Uma camiseta branca pode ser amuleto no velório. Um velho par de tênis pode ser um lembrete da amizade que você não quer esquecer.

SÉRIE ACÚLEOS

Há um porém, as memórias guardadas pelos objetos são muito maiores do que eu poderia suportar. Sou grata pela minha memória errante. Que as memórias permaneçam por perto, nos objetos e fora de mim. 

Isso explica porque vou colecionando coisas pelo caminho. Poucas, mas importantes coisas. Também costumo me desfazer de objetos pelo mesmo motivo, as memórias que eles guardam.

Ixi, lembrei agora da Série Acúleos, que  tem objetos muito significativos. Mas vai ser história para outro texto. Preciso me impor algum tipo medíocre de fim, porque minhas memórias vagam nas mais improváveis conexões. Os links internos do site ainda não estão ativos, mas se você me stalkear um pouco vai entender do que estou falando. 

Por enquanto, relembre deste

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DICA DE LEITURA

Sempre que penso na memória das coisas, me lembro de um livro importantíssimo na construção do repertório que sou. Deixo aqui a indicação de leitura: O casaco de Marx – Roupas, memória, dor. Um livro de Peter Stallybrass. Ele genialmente ainda apresenta o viés das coisas como mercadorias, o problema de Marx em O Capital. Aliás, o meu livro já dei de presente, aceito outro. Minha prateleira agradece. 

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